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tipografia: artigo pessoal

Publicado por: dcvmais em: Março 24, 2009

“A tipografia é a arte, o processo de criação e a classificação do desenho de letras do alfabeto e caracteres usados para formar as palavras.”

Nos tempos primitivos não comunicavam por letras, substituindo assim os sinais gráficos por  elementos básicos, a linha e o ponto. Os desenhos eram ao início o recurso dos primatas para passarem uma mensagem que teimava em não se exprimir por palavras.

Dos traços livres passamos ao aperfeiçoamento da escrita e, hoje, associamos as letras a caracteres com que são representados os fonemas de uma língua. O alfabeto é assim o campo a que recorremos quando queremos aceder ao conjunto de letras que a nossa língua nos disponibiliza para comunicarmos.peace_front_cropped_small

Yes-we-can

Até ao dia em que nos tinha sido proposto explorar a mensagem por detrás de uma “mera” letra” nunca me tinha apercebido da sua complexidade e da sua capacidade de transmitir uma ideia ou um sentimento. A partir desse momento comecei a tomar atenção aos cartazes na rua, às capas dos livros, aos panfletos publicitários e até a um simples papel colado na porta do talho a anunciar que o frango se encontrava em promoção. Momentos e mensagens diferentes e os tipos de letra ainda mais díspares. Com cores fortes e outras com traços descuidados, todas elas tinham uma mensagem subliminar. A capa do livro chamava pelos mais eruditos, com uma letra perfeita e rigorosa, marcando à partido o tipo de leitor que queriam atrair. A publicidade como queria chegar a todos optou por um desenho atrativo, bastante colorido, com letras em maiúsculas, sem esquecer os negritos que carregam em si uma mensagem de apelo, um chamar de atenção.

Simples exemplos que todos os dias vemos mas que não nos despertam o espírito crítico nem nos fazem parar em frente ao talho a tentar perceber o que as pessoas iriam pensar assim que percebessem que o frango estava em promoção. Iriam recontar o rendimento que tinham disponível para o mês e saber se a promoção compensava? Ou iriam analisar o tipo de letra e o impacto que ela terá nas pessoas que calmamente passam pela Rua do Bolhão e nem recaparavam que o frango estava mais barato 1 euro? Evidentemente que tudo se adapta aos momentos e às nossas intenções, pelo que só quem vai com o objectivo predefinido de atentar nas letras irá tentar descodificar o motvo pelo que se optou por uma letra mais serifada ou por umas letras maiúsculas que quem ainda vem no início da rua repara na mensagem.

Neste sentido, creio que a escolha de uma letra por uma e não por outra em pouco irá influenciar a nossa atenção. É natural que o tamanho da letra e a sua disposição são dois critérios que nos redireccionam o olhar, porém não será por ela ter mais pormenores ou aspectos rigorosos que nos farão encarar a mensagem de outra forma. Agora, é compreensível que seja adoptada uma coerência para as letras de acordo com o lugar e a situação em que estas são dispostas.

Ao entrarmos na área da design, a letra ganhou aos poucos um espaço de destaque. São frequentes as composições em que as letras são o núcleo da mensagem. Arial, Bodoni, Frutiger, Futura, Garamond, Gill Sans, Helvetica, Times new roman ou Univers são tipos de letra tão frequentes e, para nós enquanto estudantes não passam disso mesmo, de um tipo de letra. Se se trata de um trabalho para uma disciplina mais exigente ou com algum peso no programa curricular é por hábito optarmos pelas letras bonitinhas, certinhas ou com traços mais manuscritos. A escolha da letra nem por isso é ponderada de forma crítica mas sim se vai de encontro ao que escrevemos e se se apropria ao “ambiente” a que o trabalho estará disposto.

De uma vertente mais práctica passemos para um campo mais técnico.

A primeira vez que visionei o vídeo que posteriormente acabei por analisar fiquei completamente fascinada, pois até a esse momento nunca tinha imaginado os objectos que nos são tão familiares camuflados de letras.

Desde o início que é perceptível o desenrolar da acção, uma vez que as palavras revelam-se fulcrais para toda a dinânima e riqueza do vídeo. São as palavras que nos enquadram em toda a história e são elas que de diversas formas e feitios substituem os elementos sólidos (taxis, edifícios, ruas, pessoas…), sem nunca perder a coerência, a consistência, bem como a própria realidade.

As palavras adoptam diversas cores, formas, tamanhos, adaptando-se aos mais diversos aspectos que estão a interpretar, acabando por dar uma dinâmica que prende a atenção do espectador, uma vez que estamos sempre à espera do que se seguirá. Como estamos sempre a ser surpreendidos pela originalidade do vídeo, acabamos por criar várias expectativas, revelando-se  impossível desprender a nossa atenção.

O tipo de letras  enquadra-se no estilo moderno, daí a sua perfeita legibilidade e a sua capacidade de reflectir a robustez, solidez, força e destaque. Na pequena pesquisa que fiz, li que o uso de letras maiúsculas “são rectângulos monótonos pouco distintos que não atraem a atenção do olhar”. Ora, não posso concordar, uma vez que neste vídeo todas as palavras se encontram em maiúsculas e não é por isso que não revelam dinânima. Na minha modesta opinião, as letras em maiúsculas atribuem importância e têm mesmo como objectivo marcar uma posição de relevo.

As cores utilizadas estão à altura da realidade e não são precisas muitas para trespassar as emoções do vídeo. Umas cores são vivas, outras mais fortes, mas são sobretudo frequentes as tonalidades mais pesadas, também porque a acção se passa durante a noite.

Se  ”o objectivo principal da tipografia é dar ordem estrutural e forma à comunicação impressa” e  se a tipografia “transmite sensações e padrões, criando uma informação no subconsciente do leitor” não tenho qualquer dúvida de que este vídeo é exemplo certo disso.

A proposta da tipografia foi sem dúvida um projecto que condicionou a minha atenção para o que me rodeia. Ver a letra com outros olhos revelou-se um desafio em que relembro diversas experiências.  Segundo Robert Bringhurst, “a tipografia é o ofício que dá forma visível e durável e portanto existência independente à linguagem humana”, como tal a letra é muito mais do que a imagem que transparece, é um meio criativo que permite isolar a mensagem num espaço gráfico e tornar-se acessível à visão de todos mas não à inteligência visual de todos. Como em qualquer aspecto de design há sempre mensagens subliminares e uns simples traços trazem sempre consigo qualquer objectivo, qualquer emoção.

Assim sendo, a tipografia é uma maneira da mensagem perdurar no tempo, mas sempre disponível a diversas interpretações . Como Suzana Valladares Fonseca já escreveu, ”o tipógrafo veste a palavra com uma forma visível e preserva-a para o futuro”, portanto a imagem que a tipografia nos traz das letras é a percepção visual que retemos, porque quanto à sua interpretação essa fica dependente do quanto mais além consigamos ver.

Referências bibliográficas:

“Elementos do estilo tipográfico versão 3.0‎” – Página 17, de Robert Bringhurst – traduzido por André Stolarski, Publicado por Cosac Naify Edições, 2005

“A tradição do moderno: Uma reaproximação com valores fundamentais do Design Gráfico a partir de Jan Tschichold e Emil Ruder”, capítulo 4, p. 164

http://www.slideshare.net/barao/tipografia

http://pt.wikipedia.org/wiki/Tipografia

http://www.informationdesign.org/archives/typography/

http://pt.wikiquote.org/wiki/Robert_Bringhurst

http://pt.wikiquote.org/wiki/Emil_Ruder

1 Resposta para "tipografia: artigo pessoal"

Estimada Maria,

O trabalho teórico sobre a tipografia/letra como elemento “imagético” vai de encontro aos objectivos do desafio lançado na aula: análise pessoal e fundamentada sobre um determinado objecto ou contexto. Mas, julgo, pode ainda ir mais longe particularmente no que concerne à fundamentação teórica! Não fique por aqui e edite outros “posts” sobre esta matéria.
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Observo ainda a escassa actualização do weblog e estando, naturalmente, solidário quanto à sobrecarga dos restantes trabalhos de outras disciplinas (algo que já vários colegas compartilharam comigo) sou forçado a salientar a necessidade de desenvolver e editar/actualizar com alguma celeridade a componente teórica e prática do trabalho realizado sobre os elementos e técnicas de comunicação visual; tipografia/letra; a cor e infografia. Até porque o número de aulas t/p (consultar wiki de trabalho) é muito reduzido e iremos avançar para o último projecto final (desenho de informação: paginação).

Até sexta-feira e até lá, qualquer dúvida/esclarecimento, disponha também via email.

Bom trabalho!
Bruno Giesteira

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  • Bruno Giesteira: Estimada Maria, O trabalho teórico sobre a tipografia/letra como elemento "imagético" vai de encontro aos objectivos do desafio lançado na aula:
  • Bruno Giesteira: Estimada Maria, Reafirmo o meu comentário anterior. - Pretende-se que o artigo reflicta (em detrimento de uma análise mais biográfica...) um d
  • Bruno Giesteira: Estimada Maria, Tal como referi no email vou precisar de mais algum tempo para comentar com cuidado o artigo editado. Todavia, e numa leitura (brev

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