Publicado por: dcvmais em: Junho 19, 2009
Se me questionassem sobre o que eu entenderia por cor, muito provavelmente eu não saberia responder, pois nunca foi algo com que eu me tenha interrogado, uma vez que dá a sensação de que a cor já nasce associada aos seus objectos, ou seja, é uma espécie de “2 em 1″. Se me falam em natureza eu penso em verde, se me falam em coração eu de imediato me ligo ao vermelho. Desde sempre que estas associações me parecem perfeitamente naturais e não fazia sentido se assim não fosse.
Pois bem, este será o raciocício de muita gente, um raciocínio que não pensa mais do que para quilo que vê. O hábito prega-nos partidas e não nos deixa reagir da melhor maneira a mudanças. O que é a cor afinal? Porque é que ela existe? Como é que foi descoberta?
Recuemos uns tempinhos atrás…
Por volta do ano 1900, com a crescente industrialização, o ramo têxtil era um dos que mais crescia no mundo. As empresas desse segmento começaram a ter sérios problemas com a reprodução das cores dos seus produtos. Isso ocorreu porque as fábricas não tinham nenhuma referência e não conseguiam reproduzir os tecidos com fidelidade de cor. Mesmo que elas criassem uma fórmula, tinham dificuldades em reproduzir a mesma cor pela segunda vez. Diante dessa problemática, foi preciso criar um padrão de cores. Foi em 1905, que um pintor norte-americano, Albert Henry Munsell, começou a estudar as cores. Em função dos seus estudos, ele é considerado uma das principais referências nos estudos das cores até os dias de hoje.
Todavia, já desde o século XVII que a cor dava sinais da sua existência, pelas mãos de Newton. Este cientista fez passar um raio de luz branca através de um prisma triangular transparente, obtendo assim um conjunto de cores que ia do vermelho ao violeta. Ficou não só provado que o branco é a combinação de todas cores possíveis e o preto é a ausência delas, como também que a luz solar (raio de sol) possui todas as cores possíveis, cores estas que podemos hoje observar no arco-íris. Se procurarmos por uma explicação mais técnica, encontramos que a cor é uma sensação de luz que temos sobre os nossos olhos, os quais são provocados por um feixe de fótons sobre as células especializadas da retina.
Ainda no século XIX, as experiências de Newton foram aprofundadas por Charles August Young que trouxe mais desenvolvimentos ao mundo da cor. Ao projectar e sobrepôr três cores, Young apercebeu-se de que mais cores estavam a surgir e que ao misturar estas cores duas a duas se obtinham outras. Rapidamente surgem as cores primárias, ou seja as cores básicas que são encontradas na natureza e que são impossíveis de serem decompostas. São elas o amarelo, o vermelho e o azul. No momento em que se misturam formam outras cores, as chamadas cores secundárias. Temos o exemplo do laranja (vermelho+amarelo), o verde (amarelo+azul) ou o rosa (branco+vermelho).
Para trabalhar as cores com concistência, os atributos das cores são fundamentais. O tom é relativo à luminosidade ou à escuridão de uma cor, podendo um só tom ter inúmeras variações da sua cor pura entre o claro e o escuro. À primeira vista a imensidão de cores pode-nos parecer desnecessária e confundir o nosso sistema cognitivo, contudo “a nossa visão pode distinguir facilmente entre a claridade e a obscuridão de uma cor”, defende Wucius Wong. Por sua vez, a saturação é o equivalente da luminosidade. Assim como duas cores podem ser da mesma linha mas terem intensidades diferentes, uma cor misturada revela-se menos brilhante e menos intensa em comparação a uma cor pura. Por outras palavras, a saturação é um parâmetro que especifica a qualidade de uma tonalidade de uma cor. No que toca à temperatura da cor esta tem uma filosofia simples: as cores parecem mais quentes à medida que o amarelo diminui e o vermelho aumenta.
Para além dos atributos, ainda há mais aspectos relativos às cores. Refiro-me ao facto de as cores quentes parecerem avançar em direcção a nós, enquanto as cores frias parecem recuar, ao contraste simultâneo, à vibração e ao peso, características que condicionam o brilho e o expressão de espaço que uma cor pode vir a criar.
A cor vai-nos rodeando, vai-nos passando despercebida, talvez por contarmos como certo que a cor não nos vai surprrender, de que tudo estará igual assim que nos levantamos de manhã para mais um dia. A cor pode ter vários focos de análise, mas a verdade é que não são estes os elementos que nós temos em conta no nosso dia-a-dia. A cor traz-nos uma energia própria, uma energia comum a muitos, mas por vezes personalizada para alguns. Já há muito que se fala no significado que as cores têm para nós, do quanto interferem na nossa vida e nas nossas acções, mas afinal o que significam as cores?
Ora, são atribuídas inúmeras características a cada cor e abaixo apresento uma breve classificação, que sem dúvida vai de encontro ao que comummente relacionamos com determinada cor.
branco: perfeição, casamento, limpeza e santidade;
preto: autoridade, elegância, maldade e vazio;
amarelo: sol, optimismo, sabedoria e alegria;
vermelho: paixão, revolução, calor e raiva;
azul: conhecimento, lealdade, céu e apatia;
verde: juventude, ambiente, dinheiro e sucesso;
laranja: energia, saúde, criatividade e vibração;
roxo: luxúria, imaginação, loucura e crueldade
cor-de-rosa: sensualidade, compaixão, fragilidade e carinho.
Todas estas características inerentes às determinadas cores são analisadas de acordo com a psicologia da cor. Quando falo em psicologia refiro-me às emoções que as cores nos provocam e até que ponto nos condicionam. É natural a confusão com simbologia da cor, mas estes conceitos não são sinónimos, uma vez que a simbologia da cor está associada às diferentes interpretações que cada cultura adopta acerca determinada cor. Por exemplo, no simbolismo da cor, o verde significa inveja em várias culturas, enquanto que na psicologia da cor, o verde está associado ao equilíbrio.
Ao direccionarmos a nossa atenção para outro campo, o design visual, a comunicação nesta área também se socorre da cor, com o intuito de estabelecerem um padrão de afinidade e coerência com as nossas ideias pré-definidas. A cor é assim aproveitada para dar outra dinâmica à composição e se tornar em mais um meio de transmitir a mensagem, já que a comunicação está sempre subjancente. Apesar de toda esta cumplicidade entre emissor e receptor, a verdade é que o designer tem de ter alguma cautela, pois é a cor que reforça o sentido da mensagem e, portanto a escolha da cor deve ser um processo cauteloso e saber aproveitar o poder da cor para monopolizar a nossa atenção.
Mesmo assim, poucos são os obstáculos no que toca à força da cor em se envolver nos nossos sentimentos e emoções, já que algumas cores parecem ter características universais, ou seja, permitem que a recepção da mensagem alcance o maior número de recptores possível. Os vermelhos, laranjas e amarelos estimulam os sentidos e tendem a ser percepcionadas como cores quentes, capazes de excitar os sentimentos de estímulo, carinho e boa saúde. Por outro lado, os verdes e azuis são vistos como cores frias, sendo associadas à calma, paz, segurança e depressão.
No meu ponto de vista, a cor é um elemento com bastante para nos dar, basta tentarmos compreendder a sua essência e as suas influências. Com este projecto, foi perceptíve a comunhão que as composições têm connosco, simplesmente porque sabem dar espaço à cor para brilhar e para comunicar.
Se pensarmos nas nossas rotinas diárias, a cor está tão presente e ao mesmo tempo tão distante da nossa atenção. Mas quantas vezes não olhamos para a nossa roupa e a escolhemos de acordo com a nossa disposição? Acordo feliz, cheia de energia e com um sorriso na cara, portanto visto amarelos, laranjas, verdes. Neste preciso momento, um momento tão espontâneo e irreflectido deixamo-nos dominar pela sedução da cor, que quer queiramos ou não acabará por ser o espelho do nosso estado de espírito.
Para além disso, a cor desperta em nós sensações e leva-nos a reagir. Por outras palavras, ao percepcionarmos determinada cor ela vai-nos lembrar algo a que nós inconscientemente temos como associação lógica. Por exemplo se eu vejo labaredas ao longe e de repente o azul do céu é visitado pelo laranja das chamas, de imediato aquele laranja intenso me faz afastar e ter cautela, pois a ele está associada uma situação de perigo. Se me falam numa banana, instantaneamente o meu pensamento se pinta de amarelo e desperta o meu sentido gustativo. Portanto, as cores podem ser tidas em conta como o ponto de partida para nós tomarmos uma posição, para nós agirmos, para nós vivermos.
Mas o poder da cor não fica por aqui. A sua importância vai muito mais além. Há milénios que as cores são utilizadas em tratamento de doenças em todo o Mundo. Cada cor tem uma vibração, afectando o corpo e a mente, activando as glândulas humanas, as funções orgânicas e fortalecendo o sistema imunológico. Quando utilizada de maneira correcta, torna-se numa importante ferramenta para o equilíbrio, podendo gerar bem-estar, preservando a saúde, facilitando a comunicação entre as pessoas, elevando a auto-estima, reduzindo o stress, facilitando a assimilação de mensagens e aumentando a vitalidade.
Ora, a cor não é um simples elemento de comunicação visual, já que traz consigo um vasto leque de sensações, informações e se vai aproximando como uma porta entreaberta que espera por um empurrãozinho para que toda a sua essência seja apreciada “A cor está, de facto, impregnada de informação e é uma das mais penetrantes experiências visuais que temos todos em comum” ( D.Dondis).
Referências bibliográficas:
Wong, Wucius, Principios del diseño en color, nueva edición, 1999
http://br.answers.yahoo.com/question/index?qid=20070504184036AAIalHR
http://olhandoacor.web.simplesnet.pt/significado_das_cores.htm
http://www.euroresidentes.com/portugues/cores-do-zodiaco/significado-azul.htm
http://www.geocities.com/strani_felicita/teoria.htm
http://pt.shvoong.com/exact-sciences/1615680-simbolismo-da-cor-psicologia/
http://www.slideshare.net/ricreis/comunicacao-visual
http://www.figueiraconsultores.com/importancia_das_cores.htm
http://comunicacao_visual.no.comunidades.net/index.php?pagina=1240343532